É preciso esclarecer que os alemães
também competem no mundo da cosmética. E sim, eles são bons nos produtos que
oferecem. O mundo da cosmética e da perfumaria não é uma exclusividade
francesa, porém, os franceses ainda são uma referência mundial, dada aí sua
importância social, cultural, artística e econômica para o desenvolvimento da
lógica mercadológica da cosmética e da perfumaria no mundo todo. O velho e bom savoir-faire francês vai que vai! Mas, entendo
que, mesmo os italianos, até os brasileiros e outros ainda, tem suas prerrogativas
sustentadas no mundo da cosmética. Bem, para além das minhas experiências
relatadas até aqui, vou prosseguir, e tentar chega a questões mais plausíveis
de explicação desta minha conexão com a perfumaria e a cosmética (em especial,
francesa).
Num intermédio de tempo entre o término da
minha faculdade, em 2005, e a entrada no mercado de trabalho – fui assessora de
comunicação do Hospital Universitário de Santa Maria, por 4 anos, para mim,
existiu um período de desligamento com o mundo da academia, em que, após quatro
anos de faculdade, resolvi apenas trabalhar, e fazer alguns cursos meio que
aleatoriamente. Durante a faculdade, fiz curso de inglês. E depois, algumas
coisa me interessavam mais, e outras, menos. Decidi, naquele mar de indecisão
que pairava frente à necessidade de voltar à academia e refazer certos caminhos
tortuosos e pedaços da estrada deixados para trás, fazer um curso de francês,
para aprender um outro idioma, que, para mim, a priori, parecia muito difícil.
Bem, eu pensava que deveria, pelo menos, fazer uma especialização, pois, o
mercado é competitivo, e como eu só tive a certeza sempre que não gostaria ser
uma profissional da saúde, diferentemente da minha irmã, que é enfermeira, mas,
acabei trabalhando em um complexo hospital, eu precisava de maneira quase
urgente e imediata mudar aquela situação. Pensei, naquele momento, que um curso
de francês seria bem interessante para um começo. Começaram as aulas, e dada a
minha dificuldade com a pronúncia (que carrego até hoje, e tento resolver com
as aulas particulares), fui seguindo semana após semana, e entendendo palavras
em suas significações, que utilizamos inclusive no português, em pontos de
intersecção da lingüística complicada de todas as línguas derivadas do latim
(em especial, relacionado à mistura sofisticada das origens da língua francesa
– em num contexto germânico-latino). Para além de simplesmente aprender uma
nova língua, o idioma francês despertou em mim um interesse pela cultura
francesa, pelos modos de organização da vida na França, ver documentários e
explorar, nas conversas com as professoras (muitas que me deram aula, moraram
por um bom tempo naquele país), e na internet, evidentemente. Não, eu não fui à
Europa (e mais especificamente para a França) ainda, mas, pretendo fazê-lo,
muito em breve.
Contudo, a medida que mais
palavrinhas eu aprendia por aula, mais informações eu sentia necessidade de
ter, mesmo para relacionar com aquilo que estava interagindo durante as aulas. Durante
o curso, conheci uma colega, hoje, uma amiga, muito frenética pela cultura
francesa. A “Udi” (Maria de Lourdes, é assim, carinhosamente chamada por todos)
sempre fala “Eu nasci no lugar errado!”, quando se refere à aspiração de uma
vida mais “francesa” sua própria vida. Nossa relação se intensificou, nas
trocas sobre a estética francesa. Neste momento, eu já conhecia boas
informações sobre a perfumaria e a cosmética; já estava até meio saturada das
mesmas coisas de sempre, e procurava, certas diferenciações. Era preciso
expandir meu leque de conhecimento, e eu procurava, quase que desesperadamente,
vias de acesso para isso.
Eu precisava de novas interfaces,
novos produtos, novos objetos e novas marcas de inspiração – estava em busca de
novas informações, porém, muito seletas e específicas. Vislumbrei então, na
interação com a nova amiga, uma possibilidade de aumentar este campo de
conhecimento, por um novo viés – a tentativa de compreender melhor porque os
franceses são tão “bons” neste “métier” de perfumaria e cosmética. Por meio de
uma relação de amizade recíproca, comecei a colocar em prática a busca por
novos segmentos e estilos franceses, na medida em que trocava informações, por
vezes fúteis, sobre culinária, móveis, cheiros e modos de arrumar a casa. Neste
mundo, fomos (eu e a Udi) tentando, mesmo que precariamente, desvendar um pouco
do mundo francês, adequando, é claro, aos novos modos de interpretação.
Neste mesmo intervalo de tempo, eu
descobria novas informações sobre a cosmética. Uma delas foi, a partir de um
lindo batom cor-de-boca (=bege), que eu comprei no site de vendas da Free
Itália – de uma marca, até então desconhecida por mim, chama ArtDeco. Depois de
mais uma exploração no on-line, descobri que a procedência desta marca, que então
passou a ser muito cultuada por mim –
por toda excelência de uso verificada neste primeiro produto, e em
outros que fui descobrindo e adquirindo pela plataforma on-line – , era alemã,
o que me surpreendeu, pois, dado aquele profundo apreço e contato que eu vinha
tendo com os produtos e uma certa ótica cultural francesa, que ia aos poucos se
imiscuindo no meu estilo de vida, por meio das trocas com minha amiga, dentre
outros fatores, apreciar e preferir cosmética alemã à francesa, naquele
instante, era algo quase impraticável, ou mesmo, inconcebível. Uma coisa é
certa: esta abertura de novas possibilidades e apropriações que fui organizando
em meu cotidiano, só foi realmente possível com a influência e a ajuda da
internet, no modo como a fui incorporando em minha vida, e, penso que, nas
épocas em que estamos vivendo, determinadas “reviravoltas” culturais são
possíveis, por meio de novas descobertas, mas, só podem acontecer quando
determinadas interfaces são desenvolvidas, entre nós mesmos e outras possibilidades,
sejam elas físicas ou espirituais.
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