Moda pelo Petit Bureau

Movida pela paixão sobre tudo aquilo que me seduz e afeta, escrevo sempre que posso a todos que se interessam pelas mesmas coisas que eu. De alguma forma, meu coração precisa deste "escritoriozinho" (le petit bureau) para expressar emoções! Obrigada por estarem avec moi!!!

domingo, 24 de junho de 2012

A descoberta da diferenciação em ArtDeco


            É preciso esclarecer que os alemães também competem no mundo da cosmética. E sim, eles são bons nos produtos que oferecem. O mundo da cosmética e da perfumaria não é uma exclusividade francesa, porém, os franceses ainda são uma referência mundial, dada aí sua importância social, cultural, artística e econômica para o desenvolvimento da lógica mercadológica da cosmética e da perfumaria no mundo todo. O velho e bom savoir-faire francês vai que vai! Mas, entendo que, mesmo os italianos, até os brasileiros e outros ainda, tem suas prerrogativas sustentadas no mundo da cosmética. Bem, para além das minhas experiências relatadas até aqui, vou prosseguir, e tentar chega a questões mais plausíveis de explicação desta minha conexão com a perfumaria e a cosmética (em especial, francesa).
             Num intermédio de tempo entre o término da minha faculdade, em 2005, e a entrada no mercado de trabalho – fui assessora de comunicação do Hospital Universitário de Santa Maria, por 4 anos, para mim, existiu um período de desligamento com o mundo da academia, em que, após quatro anos de faculdade, resolvi apenas trabalhar, e fazer alguns cursos meio que aleatoriamente. Durante a faculdade, fiz curso de inglês. E depois, algumas coisa me interessavam mais, e outras, menos. Decidi, naquele mar de indecisão que pairava frente à necessidade de voltar à academia e refazer certos caminhos tortuosos e pedaços da estrada deixados para trás, fazer um curso de francês, para aprender um outro idioma, que, para mim, a priori, parecia muito difícil. Bem, eu pensava que deveria, pelo menos, fazer uma especialização, pois, o mercado é competitivo, e como eu só tive a certeza sempre que não gostaria ser uma profissional da saúde, diferentemente da minha irmã, que é enfermeira, mas, acabei trabalhando em um complexo hospital, eu precisava de maneira quase urgente e imediata mudar aquela situação. Pensei, naquele momento, que um curso de francês seria bem interessante para um começo. Começaram as aulas, e dada a minha dificuldade com a pronúncia (que carrego até hoje, e tento resolver com as aulas particulares), fui seguindo semana após semana, e entendendo palavras em suas significações, que utilizamos inclusive no português, em pontos de intersecção da lingüística complicada de todas as línguas derivadas do latim (em especial, relacionado à mistura sofisticada das origens da língua francesa – em num contexto germânico-latino). Para além de simplesmente aprender uma nova língua, o idioma francês despertou em mim um interesse pela cultura francesa, pelos modos de organização da vida na França, ver documentários e explorar, nas conversas com as professoras (muitas que me deram aula, moraram por um bom tempo naquele país), e na internet, evidentemente. Não, eu não fui à Europa (e mais especificamente para a França) ainda, mas, pretendo fazê-lo, muito em breve.
            Contudo, a medida que mais palavrinhas eu aprendia por aula, mais informações eu sentia necessidade de ter, mesmo para relacionar com aquilo que estava interagindo durante as aulas. Durante o curso, conheci uma colega, hoje, uma amiga, muito frenética pela cultura francesa. A “Udi” (Maria de Lourdes, é assim, carinhosamente chamada por todos) sempre fala “Eu nasci no lugar errado!”, quando se refere à aspiração de uma vida mais “francesa” sua própria vida. Nossa relação se intensificou, nas trocas sobre a estética francesa. Neste momento, eu já conhecia boas informações sobre a perfumaria e a cosmética; já estava até meio saturada das mesmas coisas de sempre, e procurava, certas diferenciações. Era preciso expandir meu leque de conhecimento, e eu procurava, quase que desesperadamente, vias de acesso para isso.
            Eu precisava de novas interfaces, novos produtos, novos objetos e novas marcas de inspiração – estava em busca de novas informações, porém, muito seletas e específicas. Vislumbrei então, na interação com a nova amiga, uma possibilidade de aumentar este campo de conhecimento, por um novo viés – a tentativa de compreender melhor porque os franceses são tão “bons” neste “métier” de perfumaria e cosmética. Por meio de uma relação de amizade recíproca, comecei a colocar em prática a busca por novos segmentos e estilos franceses, na medida em que trocava informações, por vezes fúteis, sobre culinária, móveis, cheiros e modos de arrumar a casa. Neste mundo, fomos (eu e a Udi) tentando, mesmo que precariamente, desvendar um pouco do mundo francês, adequando, é claro, aos novos modos de interpretação.
            Neste mesmo intervalo de tempo, eu descobria novas informações sobre a cosmética. Uma delas foi, a partir de um lindo batom cor-de-boca (=bege), que eu comprei no site de vendas da Free Itália – de uma marca, até então desconhecida por mim, chama ArtDeco. Depois de mais uma exploração no on-line, descobri que a procedência desta marca, que então passou a ser muito cultuada por mim –  por toda excelência de uso verificada neste primeiro produto, e em outros que fui descobrindo e adquirindo pela plataforma on-line – , era alemã, o que me surpreendeu, pois, dado aquele profundo apreço e contato que eu vinha tendo com os produtos e uma certa ótica cultural francesa, que ia aos poucos se imiscuindo no meu estilo de vida, por meio das trocas com minha amiga, dentre outros fatores, apreciar e preferir cosmética alemã à francesa, naquele instante, era algo quase impraticável, ou mesmo, inconcebível. Uma coisa é certa: esta abertura de novas possibilidades e apropriações que fui organizando em meu cotidiano, só foi realmente possível com a influência e a ajuda da internet, no modo como a fui incorporando em minha vida, e, penso que, nas épocas em que estamos vivendo, determinadas “reviravoltas” culturais são possíveis, por meio de novas descobertas, mas, só podem acontecer quando determinadas interfaces são desenvolvidas, entre nós mesmos e outras possibilidades, sejam elas físicas ou espirituais.