
Os editoriais de moda têm como função maior levar uma mensagem ao público, deveras específico, no que concerne tendências, tecidos, cortes e adornos. Porém, a leitura deste material é feita por um público leigo, que assimila uma certa desconexão com a vida real, assim como quando assiste a um desfile de moda.
Cada fotografia expressa um sentimento, e ao mesmo tempo dinheiro, nas peças texturizadas que os modelos entram portando, cheios de significação. Nas fotos de Eugenio Recuenco podemos observar quanto significado se pode imprimir à fotografia fashion.
Neste mundo, corpos, expressões, história e eternismo se misturam, detalhadamente cristalizados nos pingos de prata, elegantemente sujeitados ao preto e branco de uma fotografia "chic" em moda.
Assim, mesmo que o editorial seja visto como algo fútil e sem importância, ele se desmistifica no momento em que vimos registrado, como diria Barthes, o punctum mortificado nos detalhes precisos das lentes de nomes como Eugenio Recuenco.
Este homem notável, mistura a fotografia e história de uma maneira irrevente e marcante, seduzindo até o mais acadêmico dos mortais a ver seus retratos de moda. Interpretamos portanto, o que se confunde com nosso cotidiano, e aprendemos com os editoriais de moda, um pouco mais de outras culturas, o que nos enriquece e nos conscientiza.
Reside neste ponto a verdadeira impressão da fotografia em moda, nos belos sentimentos, tão perto de nós, que ela pode e deve captar. Modelos aprendem a ser verdadeiras artistas, dando razão aos seus cachês e recuperando o sentido da arte. Isso é válido. Nada mais.